domingo, 11 de janeiro de 2026

RESPOSTAS

                  (MINICONTO)

No começo, eram só uma velha ponte de madeira já corroída pelos desgastes naturais do tempo e um corpo com um belo rosto, cujo nome não me lembro, até o momento. 

Era para ti, um início, já pra eu, era recomeço. Até que a velha ponte de madeira, no momento de um forte vendaval, não resistiu e se repartiu em vários pedaços, nos separando... ouvindo a tua voz, sem que pudesse te ver. Não sabendo de ti, mas eu, fui às águas, que no momento estavam em sua fúria e arrastando um barco que, pro meu socorro talvez, passava arrastando uma longa e espessa corda, onde me agarrei e fui arrastado. De repente, tudo ficou turvo e não mais ouvi a tua voz! Recolhi-me através da corda, cheguei até o grande barco, exausto, deixei-me ser conduzido, num barco, tão perdido quanto eu, naquele momento. Algum tempo depois, de repente um choque! Era a quilha rasgando as areias e aportando ao desconhecido. Na verdade nem tão desconhecido, apenas um lugar que agora estava muito diferente e com pessoas, sim, desconhecidas. Já não lembro daquele rosto ao qual o nome eu já havia esquecido. 

Já de carona em um ônibus escolar, novas amizades, talvez novos rumos se trassavam. Descendo no conhecido, porém tão diferente lugar, parecia uma missão, uma busca, acho que de eu mesmo. De repente, assédio, respostas ao que eu precisava, sem mesmo ter perguntado... 

De repente, sua voz me chama:

- (...),(...)!

Retornei, era só o início de um sonho que se tornara em pesadelo e dele eu retornei ao ouvir a sua voz! 

Era só um pesadelo que naquele momento me atormentava;

Retornei, mas trouxe comigo as respostas do que não perguntei, 

Mas que por elas, eu há tanto aguardava. 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Hoje é dia de pedir perdão

Perdão por minhas faltas do dia de ontem! 

Quando esse dia representa todo o meu passado! 

Perdão por ser um mau observador... 

Por muitas vezes não perceber quem esteve verdadeiramente do meu lado! 


Perdão por tropeçar em tão pequeninos obstáculos, 

Quando poderia ser evitado, se mais atento! 

Perdão por fingir não ter conhecimento de tantas coisas! 

Preferi o cômodo, a me deixar explodir, em tantos momentos! 


Perdão por engolir tantas palavras! 

Talvez por timidez;

Talvez por opressão... 

E em muitas, pra evitar minha estupidez! 


Perdão se hoje eu não lhe dei bom dia! 

Se o dia começou e eu ainda nem sabia...

Se já é alto sol e nem uma mensagem, um olhar sequer...

Pois saiba que eu começo antes mesmo que comece o dia! 


Perdão se as vezes eu engulo letras,

Troco-as de forma errônea;

É que muitas vezes escrevo na calada da madrugada...

Mas perdoa-me se não te conto o meu motivo da insônia! 


Perdão por tudo o quanto te falto! 

Muitas vezes, também por meu silêncio; é o meu jeito! 

Por favor, perdoa-me por tudo! 

Só nunca perdoe-me, se um dia, eu te faltar com o respeito! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana, RJ-Brasil.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

DIGA-ME, QUAL?

Qual é a cor dos teus olhos? 

Desculpe-me a pergunta, mas é que eu não consigo ver algo que não seja a sua alma! 

Já te falaram que as almas são lindas e esculturais? 

Se sim, te mentiram! 

Almas iguais a sua, são como um símbolo de indefinição... 

Ou simplesmente não existem, 

E o que vejo, é apenas o que pode imaginar o meu coração! 

Agora, sua alma, simboliza o amor, por exemplo! 

E a cor dos teus olhos? 

Apesar disso não importar;

Eu não quero perder a conexão com a tua alma, por isso espero que você me responda,

Sem que me pessas pra olhar.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.

DELÍRIOS


Eu tenho guardadas, tantas palavras pra te dizer,

São tantas frases, tantas quanto a falta de presença;
Frases feitas e desfeitas,
Com o tempo, e, forjadas com a dor da sua ausência.

Na miragem que me persegue,
Mil motivos de anseios;
Vida e morte...
Devaneios!

As vezes pesadelos,
Onde sonhos visitam-me, vagamente;
Inercia, às vezes...
Só nunca o seu corpo presente!

Quando já vem batendo o desespero,
Vem-me tu'alma, que sorte!
Talvez um delírio!
Uma vez mais, salva-me, antes da morte!

Não sei se sou grato ou tenho pena...
Tua alma, única visita;
Ensaios furtivos...
Tão feliz quanto aflita.

Vem, que hoje é um daqueles dias!
Delírios me rondam, sou tomado por pesadelos, pairando no ar;
Talvez tu venhas!
Talvez, vá eu, te encontrar!

José Gomes
São Francisco de Itabapoana, RJ-Brasil.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

SOBEJOS DO AMOR

Às vezes, queima como o fogo,

Noutras, apenas dói;

Às vezes, é só um silêncio... 

Mas, em todas as vezes, é a saudade que corroe. 


É frio congelante! 

Calor escaldante... 

Na verdade, é só saudade! 

É a dor de quem trocou a cristal, por um falso diamante! 


Agora é pé na estrada! 

Acelera, faz rugir o motor, na pressão que entrega;

Já não sabendo quando a distância é boa ou ruim,

Mas bem sabe, maior que o valor do frete, é a dor que carrega.


A carga é pesada! 

Baú cheio, carona vazio;

Saudade, saudade, dos tempos de outrora,

Agora, a cristal noutros braços e o chofer morrendo de frio.


Triste a sina... 

Trocou pelo ouro dos tolos, sua carga de valor;

Agora vaga, batendo carroceria, 

Catando em cada parada de posto, os sobejos do amor. 


José Gomes 

São Francisc

o de Itabapoana RJ-Brasil.


NATAL, MAGIA QUE CONTAGIA

É dezembro, tudo e todos se preparando para a maior celebração do ano! 

Comemoramos o nascimento do menino Jesus! 

Nascido em Belém, más à todos chega a sua luz! 


Filho de Deus e por Ele, enviado a nós. 

Humanizado, forjou-se nosso semelhante, 

Por onde passou, à todos ensinou;

O rumo certo, caminho direto ao Pai! 


Por isso festejamos com fervor, o Teu nascimento! 

Pra nossa salvação e companhia;

Nasceu em Belém, o Menino Jesus,

Isto é motivo de festa todo dia! 

José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.

UMA SIMPLES CANTADA

Sabe, às vezes sinto que tudo que eu preciso é:

- Aprender canto!

- Dominar a arte do encanto!

- Ser belo, ao nível que não cause espanto! 

Mas... 

- Beleza não tenho! 

- Encantar não sei! 

Só me resta o convite...

- Vamos ao canto? 


Autor: (desconhecido)

José Gomes (...)

São Francisco de Itabapoa

na RJ-Brasil.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

DEVANEIOS

Desde sempre...

Sentir teu cheiro em misto jardim;

Imaginar o sabor dos teus lábios,

Desejar-te toda, só pra mim.


Sonhar acordado...

Tentando dar rumo ao meu próprio desejo;

Sonhando nas noites emluaradas,

Acrescentando pitadas de êxtase, ao desejo de cada beijo.


São devaneios... 

Onde ainda mora minha inspiração;

Te encontro em cada nota,

Em cada ritimo, em cada canção.


Vivo perdido em devaneios,

Um mundo onde nunca mais me encontrei;

Um mundo onde nunca te vi, 

Mas onde sempre te amei.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.



quarta-feira, 26 de novembro de 2025

DUVIDO, NÓS DOIS, AGORA!

Um som... Teu sussurro! 

Um lugar... No meu ouvido! 

Um momento... Agora! 

Uma resposta... Duvido!!! 

Um desafio às minhas estruturas! 

Lençóis incandescentes, luxúria;

Meu corpo estremece à sua volúpia,

Navegamos ao extremo, em sua loucura...

Depois de náufragos, aguardamos o retorno,

 Somos trazidos lentamente, pelas ondas, talvez da imaginação;

Convidados à aportar no cais da realidade,

Quimeras sobrassem de nós, ao menos metade.

Simplórios destroços de nois dois...

Sinais de quem viveu o agora,

Sem permitir que nada viesse a esperar pra depois.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana, RJ-Brasil.

domingo, 23 de novembro de 2025

AQUÍ NO SERTÃO

Aqui no sertão, há laranjeiras... 

Às que cantam e as que ainda insistem em frutificar;

Enquanto uma lança o "hino da primavera", 

Outra, tem frutos verdes, apenas pro seu desdenhar. 


Talvez por tal, aqui não apareça, 

A borracha do tempo, até as lembranças fizeram apagar;

As chuvas e os ventos desbotaram os seus rastros,

Quase nada mais há aqui, que possa te lembrar.


Há, o poder da borracha do tempo!

Apaga lembranças, apaga tudo...

Apaga-me nesse momento! 

Assim também como um dia, há de apagar-te deste mundo.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.

É TUDO O QUE EU PRECISO

De repente, um sorriso surgiu... 

Meio que do nada, apossou-se do meu ser;

Olhei ao horizonte, e nada!

Nada havia que eu pudesse reconhecer! 


Nada no horizonte! 

Nada em mim, além é claro, das lembranças que guardo... 

Lembranças de nós dois... 

As que jurei me esquecer, mas ainda às carrego como um fardo. 


Lembranças as quais não sei, 

Qual delas seria capaz de me arrancar um sorriso;

Não sei qual, mas sei que revive-las, 

Nesse momento é tudo o que mais preciso! 


Já não busco pra eternidade...

Não, não quero promessas de paraíso, 

Apenas reviver o já vivido, 

Ter de volta o meu sorriso, isso é tudo o que eu preciso! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil. 

sábado, 22 de novembro de 2025

ENIGMA

Aos 14, descobriu que os outros ouviriam mais e melhor... 

Um pouco depois, percebeu que podia ver mais que muitos... 

Assim, foi passando os tempos e sempre novas, porém, nem sempre boas novas surgiam. 

Até que um dia lhe disseram:

-"Serás privado de muitas coisas que todos ouvem, porém, ouvirás e verás muitas coisas que nem todos sequer sentirão"! 

- "No início, vai doer"!

-"Não relute, não chore por sua dor, antes, faça brotar um sorriso no seu próximo e, com ele, também sorria"!

-"Se precisar, conte histórias, inda que seja pro vento, ninguém precisa saber do seu lamento"!

-"A dor será sempre sua, inda que também seja a de outro"!

-"Em troca, falarás à todos, porém, suas entrepalavras ou entrelinhas, poucos as entenderão"!

-"Sorria, a sua dor não é física, o seu sorriso sim"!

-"Não relute, tu és um ser único, outro não há, igual a ti"!

-"As suas feridas se curam, as cicatrizes, ainda que fiquem, mas, a alma retornará, limpa, pra mim"!

-"Você consegue"!?


José Gomes 

São Francisco de Itaba

poana RJ-Brasil.



A MULHER QUE EU AMO

Nas minhas noites de insônia, 

É por você que eu chamo! 

Se por descuido do destino, eu durmo, 

É com você que eu sonho! 


A tristeza se instalou em meu quarto, 

Solidão já é o meu sobrenome;

No meu quarto, só o teu cheiro, 

Onde estás, quando tu some? 


Tudo está sem sentido,

Minha vida agora é um deserto;

Minha alegria se foi,

Nada mais tem sentido sem você por perto! 


Se um sonho ainda é pouco,

Imagina viver na insônia a te desejar...

Pro meu maior tormento, vivo o maior pesadelo, 

Que é você nunca mais voltar.


Por isso, dormindo é contigo que sonho...

Nas noites de insônia, eu te chamo! 

Vivo um pesadelo sem ti,

A única mulher que eu amo! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.



quarta-feira, 12 de novembro de 2025

SETE X SETE, SERÁ O PREÇO ?!

Dizem que, espelhos quebrados, 

São de mal agouro e dá azar... 

Acho que, por toda minha vida, Morei em casa de vidro, e só as fiz se quebrar.


Agora, em meio aos estilhaços, 

Ao relento, desabrigado estou;

Tentando juntar os cacos,

Pequenos bocados do que me restou.


Sete vezes sete, sei lá! 

Talvez ainda um pouco mais...

São tantos estilhaços, que já nem sei...

Hoje vivo um tanto faz... 


Sete, à contar do primeiro, tudo bem!

À contar do último, já é um pesadelo medonho;

Mas, sete vezes sete...

Aí é melhor desistir de ser real e viver de sonho.


Porque os sonhos sim, são meus...

Assim como você;

Dorme, acorda, vive em mim,

Ninguém é capaz de lhe roubar do meu bem querer.


Onde não há espelhos,

São apenas as paredes paralelas à minha solidão;

Lá eu te embalo, te nino e acordo!

Estás sempre comigo, guardada entre as paredes do meu coração! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana, RJ-Brasil.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

QUANDO AS FOLHAS CAEM

Talvez seja apenas o vento... 

A aridez, dos dias insalubres,

Ou simplesmente o calor do momento! 


Mas quase ninguém vê a magia...

O ar rarefeito que circula,

Com efeito, fica a sala vazia.


Sem vida também parece o jardim estar...

As folhas caem!

O vento as leva e sem destino, também elas estão a vagar.


É outono, eu bem sei! 

Só as caducas insistem...

E se mostram estarem bem, como foras da lei! 


As folhas caem e sequer, as árvores insistem...

Mantém sua confiança,

E sequer elas pedem que fiquem.


Na certeza da primavera ela está! 

Na esperança da ramada,

Haverá flores eu sei, jamais faltará.


A alegria, como a Phoenix, ressurgirá!

Abelhas, pássaros de todas as cores...

Até ti, o beija-flor chegará! 


Feliz estarás com tanta beleza, que chegam e que saem...

Mas nada lhe fará esquecer, 

O momento em que todas as folhas caem.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

BRIGANDO COM O TEMPO

Tempo, tempo! 

Pôr quê me fazes assim? 

Pôr quê, que há tanto tempo te pergunto, 

E tu, te fazendo de sonso, ignora tudo de mim. 


Parece nem saber...

Da minha sina, do meu sofrer, 

Tempo, bendito tempo! 

Às vezes tu passa tão de pressa que mal dá tempo de viver.


Já são tantas perguntas...

Algumas, já nem quero mais saber,

Já tem outras que te imploro....

Preciso saber, como vai você? 


Tempo, bendito tempo, perverso! 

Só por esta vez, me responde...

Onde mora a minha felicidade? 

Só não me diga que é logo alí, onde o sol se esconde! 


Tempo, não disfarça! 

Eu bem sei que de pressa é que tu passa;

Mas em minha vida, já quase sem sentido,

Tu não poe nem tira, nem pago nem de graça! 


Por último, sem vergonha, ainda te peço...

Vai com calma tempo! 

Pois tudo que eu desejo, ainda vem...

Vem chegando ao sopro do vento.


Tempo, para, tempo! 

É tudo que eu preciso...

Dá um tempo, tempo! 

Só quero viver um pouco mais esse paraíso.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.


quarta-feira, 8 de outubro de 2025

NOSSO ECLIPSE

Era lua cheia...

Desesperado, contei meus segredos pra lua! 

Que envergonhada, logo escondeu-se por detrás das montanhas. 

Aí veio o sol à ter comigo! 

Carrancudo, judiou de mim, 

Fez-me desejar ter me calado. 

Foram mais de doze horas de tortura. 

Era verão, e o seu calor quase insuportável, parecia querer me castigar pelo que disse a linda lua. 

Anoiteceu e já meio timida, faltando um pedaço, surgiu a lua. 

Temi pelo dia passado e nada mais lhe contei, porém calado eu fiquei, só à observar e contemplar a sua magnitude, talvez esperando uma resposta ao que antes te falara. 

Desta vez, fui pego de surpresa! 

Antes que ela se fosse, surgiu o sol, e, mais um dia de castigo... 

Assim foram passando os dias e as noites, e eu apenas sofrendo e observando. 

Observando o quanto ela parecia fugir de mim. 

Mais oculta e menos duradoura, à cada novo dia. 

Até que de repente, já não dava mais tempo de contemplar o seu esplendor, já quase sem brilho. 

E logo no dia seguinte, nem a vi, era lua nova! 

E também o sol escondeu-se de mim, 

Desapareceu, fazendo-se noite completa, às 10 da manhã... 

Era um enigmático eclipse! 

Onde a lua pois-se no caminho do sol e só então eu entendi... 

Entendi que assim também somos nós e nossos caminhos, 

Nossas aventuras, desventuras, encontros e desencontros. 

Assim são as nossas vidas! 

Dias sofridos, noites mal dormidas.

Dores e feridas... 

Enquanto aguardo o nosso eclipse, 

Quando faremos nossos dias virarem noites, 

Nossas noites, um elo ao paraíso... 

Por quanto, isso é tudo! 

É só isso o que eu espero e preciso! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana, RJ-BRASIL. 

terça-feira, 30 de setembro de 2025

NOSSO ENCONTRO

Viajamos por caminhos diferentes, 

Tempos, eternidade talvez;

Onde estávamos, quando tantos se amavam? 

Talvez esperando a nossa vez! 


Talvez cochilamos no tempo,

Viajamos ao som do vento...

E só agora estamos aqui,

Sabemos de si, mas a distância é o lamento! 

 

Talvez eu grite!

Leberte o meu lamento ao vento;

Talvez chegue até ti,

Talvez, talvez tu ouças o meu lamento! 


Tanto tempo...

Perdido entre amor e em busca de amor;

Tantos solitários por-do-sol!

Até que um dia, a ferida se cure e do peito se cale toda dor.


Por quanto, um sorriso! 

No desejo, um abraço, um beijo, etc. e tal;

E com sabor de reencontro de uma eternidade,

Um sorriso, dos seus lindos olhos de cristal.


Não, não é despedida! 

É o primeiro encontro... 

E então, nossos corpos sentem,

Enquanto nossas almas vivem um reencontro.


E nossa história não estará eternamente assim,

Viveremos dias e noites, mesmo que distantes;

Pela distancia, corpos separados,

No cosmos, almas visitantes.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana, RJ-Brasil.



sexta-feira, 19 de setembro de 2025

O UMBUZEIRO FELIZ

Oi criançada, eu sou um umbuzeiro! 

Sou um árvore falante, porém sou muito timida, só falo com pessoas que tem paciência e tempo pra me escutar. Se você passar apenas me olhando de longe, jamais ouvirá de mim uma única frase sequer! 

Talvez por sorte, encontrei essa pessoa que parou e esperou o meu tempo, e só então olhando com os olhos desviados de mim, falou:

- Oi, eu sou o João! 

E pra minha surpresa, ele não saiu correndo quando eu lhe respondi:

- Oi, eu sou o umbuzeiro feliz! 

Ele me encarou de frente e me respondeu:

- Muito prazer, eu estou a visitar o sertão nordestino e parei à lhe observar; como pode, você ser tão assim, frondosa e ainda frutificar, no meio de toda essa aridez? 

- Ah, é por isso que eu sou o umbuzeiro feliz! Se não, eu seria apenas o umbuzeiro e seria talvez igual a esses cactos ou essas plantas que você vê por aí, quase sem folhas, esperando o milagre dá benção, chamada de chuva! 

- Sim, mas então me conta logo esse segredo, é a sua felicidade que te abençoa e te faz superar assim, a aridez? 

- Não, o meu segredo não é a felicidade e sim a benção! É que Deus quando me criou, deu-me a benção da capacidade de criar com o passar dos tempos, grandes bolsões nas minhas raízes, e durante o período de abundância de água, ou seja, quando aparece alguma chuva por aqui, eu vou captando e carregando os meus bolsões e quando vem a estiagem, eu posso me nutrir, quando a terra e o ar já não tem água a me oferecer. Por isso é que eu sou feliz, pela benção dessa capacidade em que Deus me presenteou. Por paga, eu presenteio o sertão com minhas frutas, quando a maioria das árvores já na podem sequer oferecer sua sombra e sucumbem à aridez desta terra. 

- Nossa, que história linda você acaba de me contar! Porque você não conta pra todos que te visitam e os faz sabedores da grande benção e da sua felicidade? 

- Não consigo, eu sou muito timida, João! Essa história eu te pesso pra contar por mim, mas nunca se esqueça de dizer sempre: "Eu sou o Umbuzeiro feliz"! 

E aqui, eu acabei de te contar a história de uma árvore que nasce e vive e frutifica no sertão nordestino, sobressaindo-se e distribuindo alimento, quando muitas outras sucumbem e morrem por falta de água. Por isso, quando você ver uma árvore, principalmente se for frutífera, observe-a bem, quem sabe ela não tem uma linda história pra lhe contar! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil. 


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

LIBERDADE, LIBERDADE!

Liberdade, liberdade, liberdade!!!

Ouçam a voz que ecoa aos quatro ventos!

Fui prisioneiro da dor, desespero da alma,

Hoje liberto, ainda sou murmúrios e lamentos.


Liberdade, pronuncio dos mais altos montes!

Donde nunca antes fui ouvido;

Agora me faço presente! 

O que antes fôra rascunho, agora sou verso querido! 


Liberdade, agora estou solto nas asas dos ventos!

Minha liberdade chegou, agora que poeta tu te sentes;

Pois sempre fui em ti, o grito poético,

Pedindo há muito por terra fértil, pois sempre fui da poesia, a semente.


Liberdade, liberdade, liberdade! 

Agora tu és poeta e eu em liberdade estou;

Eu era o seu grito aprisionado,

Hoje, em liberdade, sou rima sou conto, sou prosa; sou verso de amor! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana, RJ-Brasil.


domingo, 17 de agosto de 2025

PRENDA-ME, POR FAVOR!

Por favor, prenda-me!

Não mereço estar em meio a sociedade;

Minha presença já não é assim tão recomendável! 

Agora, em minha mente só gera maldade.


Adquiri instinto selvagem,

Já nem me conheço...

Coloca-me entre quatro paredes,

Por quanto, sei que é tudo o que mereço.


Guarde as chaves onde só tú saibas,

Só a noite, após o teu turno, venha me interrogar.

Direi-te que já sou criminoso,

Só de tantas sandices pensar.


Confesso-te, que tamanho absurdo, 

Jamais poderia eu, imaginar;

Eu, que até então era pacato,

Pus-me agora em desacato, só de intentar.


Mas por favor, aponte logo em meu peito, sua .40,

Ponha-se logo em defesa! 

Posso não ser assim tão pacato,

Já te desejo ecaixada em meus braços deitada sobre essa mesa!


Aperta logo o gatilho! 

Não precisa ter de mim, piedade! 

Sei que meus instintos, agora são maus,

Mas sobre o meu coração, só tú tens autoridade! 


Se ainda mais, queres saber, volte amanhã,

Por hoje me basta de tortura;

Deixa em descanso esse pobre bandido! 

Volte amanhã e te conto um pouco mais, sobre minha amargura! 


À noite, num estalo e a chave gira!

O inquérito continua...

Quero logo por fim aos motivos do porque me deter,

Sabe, outro dia tive a sorte dos meus olhos cruzarem com o seus, no meio da rua.


Desde então, meus instintos se corromperam,

Agora, ser esse bandido é a minha inclinação! 

Talvez seja essa, a minha revolta...

Viver com o peito vazio, onde antes pulsava um coração.


Não sei se foi minha a culpa,

Tão pouco direi que a culpa foi sua! 

Só sei que agora, penso ser eu, um contraventor,

Tentando tomar de ti, o meu coração, como um trombadinha no meio da rua! 


Agora que tu sabes o meu delito,

Tú sai batendo a porta, e aqui me deixa aflito.

Porta fechada, logo sei que ainda vai voltar,

Bem sei que para ti, também foi surpresa e agora é o teu coração que está em conflito. 


Outra noite, na chave mais um giro! 

La vem ela, confusa e desarmada;

Olhos voltados pro chão,

Talvez por saber tão quanto é desejada.


Só então diz que irá por fim a minha tormenta,

Peço-te então, que lance logo a minha sentença;

Olhando agora em meus olhos,

Lança-se sobre mim, com viemência.


Seu crime é brando!

Porém sua sentença será de amargar;

Sua algema agora é no dedo,

Sua prisão será domiciliar.


Jpgomes

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

TEMPESTADE


Primeiro, um sorriso invasivo,

Depois, silêncio que parece cortar a alma,

Em seguida, um vento fraco arrastando as cortinas,

Agora, só o som das cortinas, roçando nas paredes...

Você se foi! 

Sobrou um gélido arrepio...

E o medo de te ver voltando...

Tempestade!

A fúria de um tornado!

É o silêncio que acompanha o seu sorriso! 

Teu olhos, exalam o clarão de um raio,

Tudo sem manifestar sequer um som.

Acho que você não é capaz de imaginar...

Do que é capaz, o teu sorriso em meu mundo! 

Uma vez mais e ele desaba, eu sei! 

Às vezes me pergunto:

Será que é assim, que começam todas as tempestades? 

Será que você se dá conta? 

Que sabe de sua capacidade de virar o meu mundo, de ponta cabeça? 

Se já não posso com o seu silêncio,

O que de mim será, ao ouvir qualquer som que venha de ti? 

Por favor vá, òh tempestade! 

Passe distante do meu olhar! 

Não quero sucumbir como presa em teus braços! 

Vá, òh tempestade! 

Passe distante da minha presença! 

Pois o teu sorriso é a chama que me consome;

E o teu olhar...

Ah, o teu olhar completa o teu sorriso! 

E juntos só buscam dar fim ao meu nome.


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.

domingo, 13 de julho de 2025

APENAS UM PESADELO

 APENAS UM PESADELO 

Alguém saberia te dizer...

O porquê das lágrimas rolando naquele quarto escuro? 

Das tuas mãos trêmulas, que sequer conseguem acender a luz? 

Sim, ele está presente nas sombras! 

Sim, ele está aí! 

Oprimindo o seu peito,

Apertando o seu coração.

Sim, é ele! 

O maior de todos os pesadelos!

O medo de um dia acordar em meio a solidão! 

Ele se esconde nas sombras,

Alimenta-se de todos os outros,

Forjando-se no maior de todos...

O maior de todos os medos! 

Desperta-te!

Foi só um pesadelo! 

Real, só o teu medo! 

Desperta-te!

Hoje foi só um pesadelo! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

SOBRE EU E VOCÊ

 SOBRE EU E VOCÊ 

Vejo um mundo se repartindo,

Cada pequena parte, uma nova porção;

Prontas a serem consumidas,

Sem cerimônias, ou quaisquer comoção.


Sem temor, protegidos,

Invadem, repartem em todas as dimensões,

Saboreando os costumes,

Introduzindo idealismos às novas gerações.


Até quando? 

Até quando, os olhos fingindo-se de cegos, permitirão?

Até que não hajam mais proveitos a serem tirados?

Talvez sim, talvez não! 


Talvez seja apenas um ciclo,

E, tudo há de voltar ao normal;

Talvez no final da colheita, cada qual receberá o seu quinhão, 

Por seu bem ou pelo seu mal.


Até lá então, aproveitemos a liberdade que ainda nos resta!

Vós sois livres à escolher...

Pense bem antes de dar cada novo passo!

Depois poderá ser tarde para se arrepender...

(Mas isso não é sobre eu e você!)


José Gomes 

São Franc

isco de Itabapoana RJ-Brasil.

O DESPERTAR

 O DESPERTAR 

Há chuva fina e frio...

Olhando à janela, vejo o vidro embaçado e riscos d'água, que descem como lágrimas.

Às vezes lembram às lágrimas dos meus dias mais tristes...

Aqui dentro, 20°, e donde tu estás? 

E as perguntas que insistem:

Como as lágrimas, à ti se apresentam? 

E quais sentimentos ainda existem? 

Quão gélido está o teu coração? 

Não posso acreditar que apesar da distância, 

O seu mundo seja assim, tão diferente! 

Que houve em ti, um incêndio do nosso passado,

E que as cinzas fertilizaram tamanhas mudanças...

Sei que são novos tempos...

Que é inverno...

Mas a primavera está próximo!

Breve haverá um despertar! 

Novos sonhos, incontáveis possibilidades...

De todas, a melhor;

No calor do verão, tú poderás despertar e voltar.

Bem vinda, estou ainda aqui!

Sempre a te esperar! 


José Gomes 

São Francisco

 de Itabapoana RJ-Brasil.

RESPOSTAS

                  (MINICONTO) No começo, eram só uma velha ponte de madeira já corroída pelos desgastes naturais do tempo e um corpo com um ...