sábado, 28 de fevereiro de 2026

O ÓDIO CEGA!

O ódio cega! 

Faz-me vagar à beira de abismos, 

Tropeçar nas pedras da estrada, 

Ver vultos no escuro, onde não há ninguém! 

Faz-me seguir, batendo a cabeça até mesmo nos galhos de pequenos arbustos,

Faz-me pequenino também! 


Abrir os olhos, seguir firme em frente! 

Desviar-me do abismo, das pedras e dos arbustos,

Árdua tarefa!

Simplesmente seguir...

Mas só assim, encontro o desapego da dor! 

Aquela que já parecia fazer parte do meu ser, 

O sedativo que mantinha-me preso, 

Privado do direito de ir e vir. 


Antes, prisioneiro...

Enclausurado no eu próprio! 

Agora liberto... 

Distante da penumbra carcerária! 

Olhos que vêem além, 

Além dos meus passos, antes limitados, sem chão! 

Agora em passos largos, seguindo uma nova e visível direção! 

Passos consecutivos, determinados, sem pausa temporária. 


Só agora, distante da penumbra, da cegueira, 

Vejo o que antes era imperceptível, 

O fardo pesado, que o ódio carrega! 

Nada além, nada se cria, nada cresce! 

Nada de bom surge, quando o ódio aparece! 

Sim, o ódio simplesmente cega! 


José Gomes 

São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil. 

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