O ódio cega!
Faz-me vagar à beira de abismos,
Tropeçar nas pedras da estrada,
Ver vultos no escuro, onde não há ninguém!
Faz-me seguir, batendo a cabeça até mesmo nos galhos de pequenos arbustos,
Faz-me pequenino também!
Abrir os olhos, seguir firme em frente!
Desviar-me do abismo, das pedras e dos arbustos,
Árdua tarefa!
Simplesmente seguir...
Mas só assim, encontro o desapego da dor!
Aquela que já parecia fazer parte do meu ser,
O sedativo que mantinha-me preso,
Privado do direito de ir e vir.
Antes, prisioneiro...
Enclausurado no eu próprio!
Agora liberto...
Distante da penumbra carcerária!
Olhos que vêem além,
Além dos meus passos, antes limitados, sem chão!
Agora em passos largos, seguindo uma nova e visível direção!
Passos consecutivos, determinados, sem pausa temporária.
Só agora, distante da penumbra, da cegueira,
Vejo o que antes era imperceptível,
O fardo pesado, que o ódio carrega!
Nada além, nada se cria, nada cresce!
Nada de bom surge, quando o ódio aparece!
Sim, o ódio simplesmente cega!
José Gomes
São Francisco de Itabapoana RJ-Brasil.